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Como tudo começou

A Frisson está totalmente associada a quem sou. Acredito que eu me preparei a vida toda para fundar a Frisson.  Todas as minha atuações profissionais, que antes pareciam muitas vezes desconexas, fizeram sentido e pareciam complementar entre si e até um dos momentos mais traumáticos que vivi até hoje me preparam para compreender o universo que estou inserida.

Em 2014, quando sofri um grave acidente de moto. Os traumas foram importantes e, naquele período, cheguei a receber um atestado de invalidez.

Três anos depois, em 2017, eu estava prestes a viver o momento mais importante da minha vida: o nascimento da minha filha.

No momento da anestesia para a cesariana, devido às limitações físicas que eu ainda carregava do acidente, tive muita dificuldade para permanecer na posição necessária. Naquele instante, o anestesista foi muito claro comigo sobre os riscos envolvidos, inclusive sobre a possibilidade de eu não voltar a andar.

Minha filha nasceu linda e saudável.

E então vivi uma das experiências mais contraditórias e intensas da minha vida.

Permaneci cerca de cinco horas na sala de recuperação após a cesariana sem sentir absolutamente nada da cintura para baixo. 
 

Ao mesmo tempo em que segurava minha filha nos braços e a amamentava, tomada por uma alegria que mal cabia em mim, sentia um medo avassalador.

Eu olhava para ela e pensava: Será que eu vou conseguir cuidar da minha filha?

Ali eu senti um verdadeiro frisson: a maior alegria da minha vida convivendo, no mesmo instante, com um dos maiores medos que já senti.

Durante boa parte daquele período permaneci sozinha. E foi ali que conversei com Deus. Prometi que se algum dia eu pudesse fazer alguma coisa para que nenhuma mãe precisasse sentir o vazio que eu estava sentindo, eu faria.

E, se eu não pudesse impedir que outra mulher passasse por momentos de dúvida e solidão, que pelo menos ela soubesse a quem recorrer, onde procurar e como pedir ajuda.

Eu não sabia como.

Não sabia quando.

Mas sabia que, em algum momento, faria alguma coisa.

Sete anos se passaram.

Até que veio um insight muito simples: vou usar aquilo que eu sei fazer.

Eu tinha conhecimento em tecnologia e percebi que poderia utilizá-lo para construir um espaço onde mães pudessem falar sobre aquilo que muitas vezes não conseguiam dizer em voz alta. 

Um lugar onde fosse possível desabafar sem precisar se identificar, porque muitas vezes a gente não quer ouvir ninguém, nem encontrar respostas prontas, a gente só quer falar. Mas ao mesmo tempo tem pensamentos que são tão difíceis de verbalizar que a saída é silenciar ou escrever. 

E, ao lado desse espaço de escuta, idealizei uma biblioteca que pudesse oferecer informação confiável e algum direcionamento para as decisões do maternar.

A ideia também carregava muito da minha própria experiência. Em diferentes momentos da maternidade — especialmente durante a pandemia — grande parte do suporte que encontrei chegou até mim pela internet.

Foi assim que nasceu a Frisson Rede de Apoio Materno.

Primeiro, como um espaço de escuta.

Depois, como uma rede.

E, como tudo aquilo que está vivo, a Frisson continuou se transformando.

As próprias escutas nos mostraram novos caminhos, novas necessidades e novas pessoas que também precisavam fazer parte dessa conversa. A Frisson cresceu, ampliou sua atuação e continua evoluindo, mas sem abandonar aquilo que esteve em sua origem: ninguém deveria precisar atravessar sozinho um momento em que não sabe a quem pedir ajuda.

Talvez eu não consiga impedir que outras mães sintam medo, solidão, insegurança ou exaustão.

Mas posso trabalhar para que elas saibam que existe um caminho.

Que existe informação que explica o que está acontecendo no corpo e na mente delas. Que existe rede com profissionais dispostos a ouvir e direcionar.

Foi essa promessa que começou silenciosamente naquela sala de recuperação, em 2017.

E é por isso que existe uma certeza que carrego comigo:

Enquanto eu estiver por aqui, esta página vai existir. 
Se quando eu sobrevivi ao acidente eu tinha dúvidas do por quê Deus eu permitiu que eu permanecesse viva e sem complicações graves, hoje eu não só tenha a resposta como sei exatamente para o que Ele precisa de mim.

Minha filha recebeu o nome de Maria Rita, significa Mulher Soberana Cheia de Luz, é o que ela representa pra mim. Luz que me guia para iluminar o caminho que ela e qualquer outra mulher venha a percorrer daqui pra frente. Eu acredito na força do coletivo para transformar o futuro, isso só é possível se mudarmos nossas atitudes agora.

Te convido a fazer parte da Frisson!
Abraço de mãe,
Vânia Fiacadori

Maria Rita

Por quem tudo começou!

A“Gerente” da Frisson.

Maria Rita significa: Mulher Soberana Cheia de Luz, não há descrição melhor para o que ela representa na vida das pessoas com as quais convive.

 

Carta Aberta à Maria Rita:

 

Filha, por você busco resgatar o que com o tempo permiti que situações que me feriram tirassem de mim, como a capacidade de reconhecer as minhas qualidades.

 

Todos os dias quando recebo seu olhar de admiração e amor incondicional, me sinto no colo de Deus. E é impossível sentir a presença Dele e não querer fazer algo de bom por mim mesma e por quem Ele criou.

 

O que sinto por você me emociona, me engrandece, me impulsiona...
Vivo para retribuir a riqueza que recebo convivendo com você todos os dias.

 

 

Com todo amor que existir no universo,

 

Sua mãe,

Vânia Borges Fiacadori

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